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Asma nas Crianças

Dr. Libério Bonifácio Ribeiro
 

Introdução

Nas últimas décadas tem-se assistido a um aumento da prevalência da asma infantil. Consequência das mudanças ambientais, das condições climatéricas, dos hábitos e dietas alimentares, esta doença afecta cerca de 15% das crianças portuguesas.

A asma manifesta-se bastante precocemente - na maioria das crianças, antes dos cinco anos de idade. Trata-se de uma doença crónica que, consequentemente, se reflecte em várias áreas da vida da criança: actividade física, bem-estar psíquico e sucesso escolar. Por isso, é imprescindível que seja diagnosticada e tratada o mais cedo possível, evitando assim agudizações da doença, interferência na qualidade de vida, bem como a sua evolução para formas persistentes que a tornam irreversível.

 

O que é?

A asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas que provoca episódios recorrentes de pieira, dificuldade respiratória (dispneia), aperto torácico e tosse, sobretudo à noite ou de manhã. É  uma das doenças crónicas mais frequentes na criança.

Normalmente, através deste conjunto de sintomas, é fácil reconhecê-la. No entanto, nas crianças até aos 2 anos de idade, é mais difícil de identificar, uma vez que podem não apresentar as manifestações habituais, podendo ter apenas tosse nocturna e matutina, aperto no peito e/ ou respiração acelerada. Os sintomas tanto podem surgir esporádica e intermitentemente, como serem persistentes, com uma intensidade variável que pode ser ligeira, moderada ou grave.
 

Como se manifesta?

Em resposta a vários estímulos (acção de alergénios ou irritantes), as vias aéreas das crianças asmáticas tornam-se mais estreitas e inflamadas e provocam sintomas como:

  • Tosse.
  • Sensação de aperto no peito.
  • Chiadeira ou pieira (“assobios” na respiração).
  • Falta de ar.


O que desencadeia as crises?

As crises de asma podem ser desencadeadas ou agravadas por estímulos específicos (alergénios) ou inespecíficos (irritantes).

Dentro dos estímulos específicos (substâncias que provocam sintomas nas crianças alérgicas, mas não nas não-alérgicas), encontramos: os ácaros do pó, os pêlos dos animais, os pólenes das plantas, bolores e determinados alimentos.

Quanto aos estímulos inespecíficos (aqueles que desencadeiam ou agravam os sintomas de asma, tanto nas crianças alérgicas como nas não-alérgicas), são de destacar: as infecções víricas, os agentes irritantes (cheiros activos, perfumes, vernizes, tintas, vapores de cozinhados, pó de talco ou poluentes atmosféricos ,  fumo do tabaco, alterações climatéricas,  prática de exercício físico).


Como se diagnostica?

Aos primeiros sintomas, os pais devem levar o seu filho ao pediatra ou médico de família que, consoante os resultados da sua avaliação, o encaminhará para uma consulta da especialidade.

Aqui, para além da história da doença e exame físico da criança, são realizados vários exames, como testes cutâneos, para verificar a que alergénios a criança é alérgica, e/ ou o estudo da função respiratória, que tanto pode ser realizado com um aparelho muito simples chamado Peak Flow Meter, ou  pela espirometria ou pela determinação do óxido nítrico exalado que serve para avaliar o grau de inflamação dos brônquios. Sempre que indicados, também são elaborados exames ao sangue, às fezes e estudos radiológicos.


Como tratar?

O tratamento da asma depende da gravidade e da natureza da doença, mas é essencial, para controlar e aliviar os seus incómodos sintomas e evitar crises graves.

Existem vários tipos de medicamentos para a asma, que só podem ser receitados pelo médico, que indica quais as doses indicadas e a forma de administração mais adequada: inaladores,  comprimidos, xaropes ou aerossóis.

Também há vacinas, aplicáveis quando o agente que provoca a alergia é determinado.


Como prevenir

A forma mais adequada de prevenir a asma nas crianças é evitando a sua exposição aos estímulos que a provocam, nomeadamente, a agentes irritantes, ao fumo do tabaco e aos ácaros do pó, aos  animais, e a determinados alimentos. Também é recomendável estender o aleitamento materno até o mais tarde possivel , porque reforça o sistema imunitário.

Depois de diagnosticada a doença, é possível controlar os seus sintomas, mas para isso é preciso haver uma entreajuda muito grande entre os familiares e os profissionais de saúde. Apesar de não poder ser curada, a asma pode e deve ser controlada. Só assim é possível dar às crianças o bem-estar de que precisam para levarem uma vida normal.

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