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O Pediatra do Futuro

Dr. Libério Bonifácio Ribeiro
 

Num mundo em acelerada mutação, onde se encurtam distâncias, se globaliza e generaliza a comunicação, se alteram padrões de vida e desenvolvimento, se perdem ou deixam de ter significado valores éticos e morais, é esperável que haja implicações na saúde, no sentido mais alargado do termo, com implicações em todos nós.

O desenvolvimento industrial, considerado como progresso, provoca alterações a nível ambiental, alterando equilíbrios e criando condições para mudanças, não só do estilo de vida, mas também alterações na fauna e na flora, com desaparecimento de espécies e necessidade de adaptação de muitas outras.

Nos últimos cem anos a população mundial triplicou, a actividade económica aumentou 20 vezes e o consumo de petróleo aumentou 30 vezes, com grande aumento do tráfego automóvel, principal responsável pela emissão de gazes e partículas.

Assistimos ao efeito de estufa, com elevação da temperatura do planeta, com consequentes alterações climáticas, com encurtamento ou desaparição de estações do ano bem delimitadas, modificando-se as épocas polínicas, aumentando e potenciando a sua biomassa, levando a desequilíbrios no ecossistema com repercussão no individuo.

A criança, ser em permanente desenvolvimento, é agredida, por um lado, por variadíssimos factores, enquanto por  outro, dado o progresso tecnológico se aumenta significativamente a sua esperança de vida.

É esta equação, o grande desafio do nosso século, iniciando-se na idade infantil a prevenção das doenças crónicas do adulto e do idoso, que na maioria dos casos  têm a sua raiz nos primeiros anos de vida ou mesmo ainda na vida intra-uterina.

Avaliar as repercussões na morbilidade a médio e longo prazos do baixo peso ao nascer, cada vez mais frequente, da sua interferência no desenvolvimento pulmonar e nas suas implicações nas doenças respiratórias crónicas ;  as doenças crónicas iniciadas na idade infantil, com implicações sociais, psicológicas e na qualidade de vida, são problemas que cada vez mais, se nos colocam.

A obesidade infantil, autêntica praga dos nossos tempos, com as suas complicações a longo prazo da hipertensão, da diabetes, das doenças cardio e cérebro-vasculares, impõem-nos uma atitude de luta por hábitos alimentares saudáveis e por alteração de comportamentos de sedentarismo.

Os distúrbios comportamentais e a necessidade da sua detecção e correcção precoces são imperativos da nossa acção, tentando minorar os seus efeitos e procurando travar o desenvolvimento de futuras perturbações mentais

Dentro de algumas décadas a esperança de vida poderá ser de 100 anos, sendo necessário estarmos preparados para que este prolongamento da vida não signifique uma agonia lenta, mas um viver com qualidade, usufruindo desta etapa final da vida.

É tarefa do Pediatra criar os alicerces da prevenção das doenças que irão afectar futuramente o jovem, o adulto e o idoso, indicando hábitos saudáveis desde muito cedo, alimentares, de exercício e de lazer.

Não basta tratar a doença e os doentes, é preciso prevenir, alertando os responsáveis para as medidas adequadas que devem tomar, de forma a minorar o impacto da civilização e do desenvolvimento, que terá de ser sustentado, sem nunca esquecer aqueles a quem se dirige, e que no centro do mundo está a criança, embrião duma sociedade mais justa, mais livre e mais saudável.

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